Norte de Goiás

Um terço dos órgãos captados em Goiás beneficiam pacientes nacionais

Entre janeiro e agosto deste ano, 47 órgãos, entre coração, fígado, rim e pâncreas foram disponibilizados à Central Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde

O prazo entre a captação de um órgão e o transporte ao receptor potencial é um dos desafios para salvar a vida de quem espera por um transplante no Brasil. Em Goiás, nos primeiros oito meses deste ano, foram captados 141 órgãos. Desses, 47 foram regulados pela Central Nacional de Transplantes e distribuídos, conforme parâmetros técnicos, a pacientes que aguardam em todas as localidades do país.

Atualmente, o transporte de órgãos é realizado sob demanda por aviões militares da Forças Aéreas Brasileiras (FAB). De acordo com o órgão, a FAB mantém, permanentemente disponível, no mínimo, uma aeronave que servirá exclusivamente ao Transporte de Órgãos, Tecidos e Equipes (TOTEQ), conforme preconiza o Decreto nº 9175, de 18 de outubro de 2017.

Em 2020, até o dia 22 de julho, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou 111 missões de TOTEQ, totalizando 147 órgãos transportados. Em todo o ano de 2019, foram realizadas 163 missões, totalizando 167 órgãos ou tecidos transportados em todo o Brasil.

“Tivemos um avanço importante nos últimos anos, o Brasil é campeão em transplante público de órgãos, mas uma estrutura aérea de apoio à FAB pode fazer com que mais brasileiros e até mesmo pacientes de outros países sejam salvos por meio da generosidade de nossa gente”, defende o diretor comercial da Brasil Vida Táxi Aérea Daniel Henrique.

“Antes de mais nada, é preciso saber que qualquer órgão possui um tempo máximo de vida fora do corpo, o chamado “tempo de preservação”. E qualquer demora além do programado pode ser fatal para o órgão e, consequentemente, para quem o aguarda”, acrescenta.

De acordo com informações da Central de Transplantes de Goiás, 41 rim e 58 córneas foram descartados no Estado, alguns foram encaminhados para estudos em laboratório. Atualmente, há 706 pacientes à espera de transplante de córneas e 120 pessoas aguardam por rim. “Muitas vezes, o órgão que o paciente precisa é disponibilizado a milhares de quilômetros de distância, o Brasil é um país continental, daí a importância do transporte aéreo para que haja sucesso nessas operações”, esclarece Daniel Henrique.

Até março deste ano, foram realizados 356 transplantes no Estado. O mais comum é o de córneas, com 156 procedimentos. Em seguida, o transplante de rim, com 138 casos efetivos. Transplantes de esclera, músculo esquelético, medula óssea e fígado também foram realizados em Goiás.

Segundo informações do Ministério da Saúde, em 2019 foram realizados 27.688 transplantes no Brasil, sendo que, de janeiro a abril, foram 2.871 procedimentos. Já em 2020, também no primeiro quadrimestre (janeiro a abril), foram realizados no SUS 2.780 transplantes no país.

Em 2019, o Distrito Federal foi o ente que mais realizou transplantes e Santa Catarina o estado que mais realizou doações de órgãos. O órgão mais transplantado é o rim e o segundo é o fígado. O transplante de intestino isolado e o multivisceral são os mais difíceis de ser realizados pela sua complexidade e especificidade, tanto para o receptor quanto para o doador.

Em nota, o Ministério da Saúde informa que, com a pandemia, houve impacto em toda a cadeia de assistência à saúde. “Os estados e municípios precisaram de estrutura, recursos humanos e insumos para atendimento aos pacientes com Covid-19. Com isso, houve redução nos números procedimentos, que seguiu o que observado em países da Europa acometidos antes do Brasil.”, registra.

Como funciona o transplante?

O processo funciona a partir da Central Nacional de Transportes, localizada em Brasília. Ela opera em plantão 24 horas por dia. Seus funcionários são informados da disponibilidade de qualquer órgão para doação em território nacional.

A partir dessa informação, é consultada a lista única nacional com as pessoas necessitadas. Após a confirmação do destinatário, o transporte é efetivamente realizado com o órgão ou tecido armazenado num compartimento refrigerado. Tudo devidamente acompanhado por profissionais da área médica.

Brasil Vida Táxi Aéreo

Com 16 anos de experiência, a Brasil Vida Táxi Aéreo presta os serviços de transporte aeromédico, feito por meio de UTI aérea, transporte de órgãos e tecidos e táxi aéreo executivo. É a primeira e única empresa no Centro-Oeste a garantir homologação para atuar como UTI aérea e táxi aéreo mundialmente.

Tanto a equipe médica quanto a tripulação passam periodicamente por cursos de atualização, como Introdução à Medicina Aeroespacial, Fisiologia de Voo, Intervenções de Bordo e Emergências Gerais, entre outros. A empresa também atende a todas as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Agência Nacional de Saúde (ANS), dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) e dos Conselhos Regionais de Enfermagem (CORENs).

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